...artigos 2011


Publicado em 30/12/2011

Atualizado em 11/01/2012


Palavras-chaves: slogan, IRB-Brasil Re, frase de efeito, tagline


Quando achamos que dissemos o que queríamos!



Slogans: sempre tem um engraçadinho que os lê diferente.


Tá aí assunto que me fascina: slogan - charmoso, bem sacado, curto, fácil de decorar, diz a que veio, explica o produto/serviço, destaca características, assina a marca... Há exemplos em que crescem mais do que a marca. Acho que toda marca, produto ou serviço, dependendo de cada caso, tem de ter um slogan criativo.  Orgulho dá quando esta frasesinha de efeito ganha vida e é usada para tudo e por todos. "Não tem preço..." :-).


Minha primeira experiência com este tema foi na minha curta e profícua passagem pelo ​IRB-Brasil Re. O ​IRB, como é conhecido, é o maior ressegurador da América Latina. Tem ativo na ordem dos bilhões de reais. Provavelmente não tem grande empresa neste país que não tenha sido ressegurada por esta companhia. É um dos orgulhos nacionais, não só por ser quase octogenária, mas porque serviu (serve e servirá) e muito à economia do nosso Brasil em diversos aspectos.


Lá havia um slogan ótimo "IRB Brasil Resseguros SA - o desenvolvimento do Brasil passa por aqui", o que era pura verdade - mas muito mais na intenção do que no que estava realmente escrito. Vamos ver? Consegui convencer o gerente comercial e a então coordenadora de comunicação a levar uma nova ideia para a alta administração, que encampou a sugestão: "IRB Brasil Re - O desenvolvimento seguro passa por nós.". Agora o slogan utilizava a palavra "seguro" (para aludir ao mercado em que está inserido e, ao mesmo tempo, adjetivando positivamente o substantivo "desenvolvimento"), incluía o pronome pessoal (personificando o slogan e aumentando a autoestima dos seus trabalhadores através da voz passiva), tirava o "Brasil" (que já constava da marca e, mais ainda, aproveitando a época da internacionalização da organização e fim de monopólio), além de ser traduzível para vários idiomas.


Mas o slogan pode ser um tiro pela culatra, senão, veja:


- "XYZ – nem parece banco": "não parece mesmo", disse a cliente (​Claudia Valli) irritada numa fila quilométrica de depósito, com apenas um único operador;


- "1 seguradora XYZ - tudo para você se aborrecer menos no trânsito": dependendo da pausa/vírgula ou da interpretação, poderia sair: "tudo para você se aborrecer, menos no trânsito", ou seja, a seguradora faz de um tudo para aborrecer seu cliente na vida, mas no trânsito ela "libera" o pobre coitado e faz tudo direitinho;


- "XYZ – Feito para você": "menos para mim", vociferei na mídia social quando criei um imbróglio com o meu banco... e


- "XYZ – você, sem fronteiras": "...e sem sinal", insistem os maldosos!


Quem cria um slogan estuda tudo o que representa a empresa, sua marca, produtos e serviços, bem como suas associações. Analisa as pessoas que lá trabalham. Pesquisa o mercado e concorrentes. Observa os clientes. Examina cada parceiro. E mesmo assim, com tudo certo e uma ideia genial apresentada, erra. Normal: seria impossível calcular todas as "possibilidades de possibilidades" que um bípede qualquer em qualquer lugar do planeta poderá dar ao slogan elaborado tão arduamente. Essa frasesinha é assim: você cria, bota lá do lado da marca e sobe pra arquibancada pra assistir ao jogo. Se der certo, vai deixando; se der errado, troca de time.


E você, consegue me pegar na esquina com o slogan que mudei lá do IRB? Se encontrar algo que o complete e dê sentido à frase ou se ele diz algo tão subliminar que passou batido, não deixe de comentar.

Até a próxima.


P.S.1: Eis 2 peças que criei e desenvolvi (arte-finalizadas pelo Oswaldo da Comin/IRB-Brasil Re) para a Revista Conjuntura Econômica da ​FGV (agosto de 2010), com aplicação do novo slogan do IRB que modifiquei, nas versões português (página dupla) e inglês (página simples).


Obs.: Desconsidere, por favor, a qualidade da imagem, ela está muito compactada, mas eu juro que o slogan tá lá!




P.S.2: Estava eu voltando de BH (para o Rio) e vi na poltrona da frente uma frase escrita naqueles lenços que as companhias aéreas pregam no velcro dos encostos. Era um voo da ​TAM e a frase era um slogan: "Entender o que você busca para encontrar o que você precisa.", que assinava a marca ​PwC. A oração era tão boa que me deu curiosidade de buscar informações sobre essa "PwC", quando logo descobri que nada mais era do que uma firma membro da mais do que conhecida PricewaterhouseCoopers International Limited (PwCIL). Trata-se de uma frase de efeito simplesmente perfeita para a área de atuação da ​Price. Ainda, numa visita breve ao site da gigante consultoria/auditoria, há frases de efeito como "Nossa solução, seu resultado." (para seu serviço de terceirização). Gente que sabe como se comunicar...


Publicado em 30/12/2011

Atualizado em 27/05/2012

Palavras-chaves: comunicação involuntária, Pernambucanas


Por que não o "não"?


Quando se pode falar a mesma coisa, evitando-se o negativo na relação com o cliente


Por que não o "não"?


Por que não o "não"?


Quase sempre ouvir "não" é desagradável. Em especial quando nos é proibido algo: "Não é permitido...". Na relação fornecedor/consumidor há regras e estas devem ser bem conhecidas. Algumas delas, inclusive, a lei manda que sejam divulgadas com visibilidade no estabelecimento comercial. Uma destas normas é o direito do comerciante (ou quem quer que esteja oferecendo 1 produto ou 1 serviço) de não aceitar cheque: ele só é obrigado a negociar com moeda corrente nacional (em tempo: o ordenamento jurídico não fala em "real – R$", talvez temendo a mudança de moedas a que o país já assistiu em tão pouco tempo...), mas o resto – cartão, cheque etc. – o seu Joaquim da Padaria recebe se quiser.


Por outro lado, é direito básico do consumidor "a informação adequada e clara sobre os diferentes produtos e serviços, com especificação correta de quantidade, características, composição, qualidade e preço, bem como sobre os riscos que apresentem"; é o que reza a Lei 8.078, inciso III, do Art. 6º, o famoso Código do Direito do Consumidor, com os quais todos deveríamos ser alfabetizados.


Ou seja, o comerciante deve deixar evidente de cara a informação de que não aceita cheque, tíquete, sal, figurinhas etc. em troca de seus produtos ou serviços. Bons locais para essa comunicação: entrada da loja, caixa, banheiros, paredes a cada tantos metros, cardápio, etiquetas de preço, vitrines, entre outros. Esse tipo de excesso de comunicação apenas demonstra boa fé do comerciante e é positiva. A questão é: como dizer isso sem ter de usar o "não"?


A crítica à comunicação do nosso comerciante em questão (foto aí do lado) é a frase que ele afixou (em local, embora apropriado, limitado: apenas no caixa – diga-se): "NO MOMENTO NÃO ESTAMOS ACEITANDO CHEQUES" (SIC). "No momento", cara-pálida? E "estaremos precisando mesmo" deste maldito gerúndio? Diz a placa o que não se aceita, mas não se evidencia o que se aceita! Pode? Pode, não...


Que tal: "Prezado cliente, para sua comodidade nossos meios de recebimento são moeda nacional e todos os cartões de crédito e débito. Aproveite suas compras." ou variações...


Para finalizar este artigo, coloquei aqui mais uma pérola do uso do "não", do nosso mesmo caso, um restaurante a quilo da Tijuca, Rio de Janeiro. Diz o informe: "SENHORES CLIENTES Informamos que não responsabilizamos por bolsas e objetos deixados nas mesas e cadeiras Caso seja necessário pedimos que deixem aos cuidados da Gerência" (SIC).


Vamos reescrever sendo um pouquinho só mais simpáticos com a clientela e fazendo as pazes com a pontuação?


Uma opção: "Prezado cliente, para que se sirva à vontade pedimos que deixem os seus volumes extras em segurança com a gerência. Bom apetite.". E cadê o "não"? O gato comeu (isto é, completamente dispensável).


A frase do restaurante é infeliz porque, primeiro, chama o eu de senhor. Humpf! Segundo porque é muito sem molho para ser tão longa. Terceiro porque o português é ornamental demais (precisa dizer o "informamos"? Muda se for "mesa" ou "cadeira" o local do furto? E por aí vai...). E quarto porque haverá juízes – seria um deles, se vestisse toga – que entenderão que é obrigação, sim, do estabelecimento, dar segurança aos clientes e aos seus pertences.


Moral da historinha: evite, a todo custo, as comunicações negativas – não diga "não" para o seu cliente!

Em tempo: o credor não é obrigado a aceitar cheque não por causa do direito do consumidor, mas pelo que diz a nossa Constituição Federal, artigo 5º, inciso II: "ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei". Não há lei que obrigue ninguém a aceitar cheque, cartão ou qualquer outra forma de quitação de obrigações.


P.Ss.:


Por que não o "não"?


1º. excelente bom exemplo de comunicação e em local bem visível (e oportuno, para filas que não se desfazem por nada!!! Sim, isso é uma crítica às filas que não andam na ​Pernambucanas que fui em BH. 35min esperando numa fila em início de janeiro (2012) é, para mim, indesculpável e injustificável.). Aliás, os cariocas talvez não saibam, mas a Pernambucanas existe (difícil não concordar com o plural, vixe!), pelo menos em MG! Neste caso, a comunicação é ótima, embora haja umas imperfeições (mínimas e irrelevantes, especialmente de português). Eis um exemplo bem bacana que diz o que não recebe como forma de pagamento sem ser negativo, apenas oferecendo outras meios de recebimento: nota 10. Além disso ainda aproveita pra incrementar a informação com dados sobre sonegação, conscientização fiscal, atendimento e trocas. Sobre a Pernambucanas, há um artigo lá em cima sobre uma iniciativa show de bola através da qual a empresa exerce sua responsabilidade social corporativa de maneira efetiva;


Por que não o "não"?


2º. outro mau exemplo (de uma sapataria em Pedro Leopoldo, MG). A "direção", que assina o comunicado, poderia dizer a mesma coisa, mas com uma abordagem tãããããão diferente... Foto também de janeiro de 2012. Em tempo, o serviço da sapataria é Ó-T-I-M-O, tão bom que fui uma vez e voltei com outro problema, também prontamente bem atendido;


Por que não o "não"?


3º. caso: uma boa comunicação, objetiva e curta, do jeito que gosto. Mas como se trata de um pedido (ok, deveria ser obrigação do sujeito que usa o banheiro, mas...), eu faria diferente para essa academia de musculação, também da minha Pedro Leopoldo, em janeiro de 2012. Em tempo: este papel está afixado em cima da privada do manheiro masculino. Que tal, numa placa que não seja de papel (que molha, estraga, fica feio etc., justamente para comunicar algo que se pede o oposto: limpeza, conforto etc.), a seguinte frase: "Prezado cliente, colabore mantendo limpo este ambiente para o seu próximo uso." Neste caso, o pronome "seu" está propositadamente tendo sua concordância indicando para o sujeito (o "cliente", leitor, recEptor da mensagem e, principalmente, usuário do banheiro) OU para o complemento ("este ambiente", núcleo da informação: o banheiro de uso coletivo). Se concordar com o sujeito, dá ao leitor a responsabilidade de colaborar com a limpeza para que ele mesmo se utilize do banheiro em outra ocasião e, concordando com o complemento, dá ao leitor a obrigação de manter limpo o ambiente para outra pessoa usufruir e, finalmente, o...


Por que não o "não"?


4º. caso bem interessante: alguém um dia falou que dizer "desculpe o transtorno, estamos em obra para melhor antendê-lo" era super inteligente, 1 bando de outros bípedes achou que a frase era o máximo e mais 1 tanto de outros pensantes resolveu utilizar a oração como única opção para comunicar o ÓBVIO (a gente sabe – vê – que está em obra e deduzimos que a obra é, no mínimo, uma benfeitoria). Muito melhor poderia ser "Esta intervenção aumentará em 150 os lugares da sua praça de alimentação e terminará em fevereiro de 2012. Aguarde as novidades.". Para finalizar, diz pra galerinha que escreveu a plaquinha aí de cima que a oração pede uma vírgula antes do primeiro verbo.


Por que não o "não"?


Por que não o "não"?


5º. caso de uma excelente comunicação: ser simpático e dar o recado da maneira mais eficiente possível. Trata-se da ​Ogni, uma empresa que loca espaço para ações corporativos (reuniões, seminários etc.) no Centro do Rio.


Por que não o "não"?


6º. ainda tem gente que escreve "a nível de" sem o menor pudor... E ainda acha bonito! Detalhe: era uma loja de informática, local onde imaginamos ser moderno, sofisticado...


Por que não o "não"?


7º. sabe o que mais dói aqui? Trata-se do maior banco do país, o 8º abaixo da Linha do Equador. Mesmo assim permite essa comunicação em sua porta para dizer que está em obra...


Publicado em 30/12/2011

Atualizado em 04/02/2012


Palavras-chaves: humor, Marcelo Zorzanelli, compaixão, respeito, ética, Mussum, Didi


Fala-se o que quer, escuta-se o que quer!


Quando passar o trator é mais simples do que pensar antes de falar...



A gente perde o amigo, mas não perde a piada... Até quando essa máxima terá sentido?


Até quando vamos dizer o que queremos, sem nos importarmos com o conteúdo do que falamos ou, ainda pior, sobre quem falamos?


Li o artigo "Os jovens humoristas e a falta de compaixão" do jornalista ​Marcelo Zorzanelli, (clique ​aqui para ler, vale muito a pena), que fala da relação entre o pseudoengraçadinho e a condolência.


Belíssima explanação, trata-se do melhor texto que já vi sobre essa nova onda de achar que humor é ligar o rolo compressor e deixá-lo ladeira abaixo, passando por cima de quem quer que seja.


Há mais de 20 anos convivo com humoristas e fui privilegiado por ter sido educado por pessoas que respeitam..., adivinhem...: pessoas! Entendi que fazer graça não é falar tudo que vem à cabeça, especialmente quando isso atinge..., adivinhem...: pessoas! Não deveria ser por e para pessoas que vivemos?


Até quando vamos travestir de liberdade de expressão atitudes rasas de gente (?) que, com o discurso frágil de não se curvarem à censura, falam o que querem, dizem o que lhes vêm à cabeça, quaisquer que sejam as consequências? Gente que se indigna e não aceita nenhuma reação às suas sandices.


Exemplos são os mais distintos possíveis. É o dublê de humorista que fala o que quer no horário nobre da TV; é o burguesinho que veste ​Levi´s, mas arrota ​Trotsky e escreve as maiores asneiras nas mídias sociais; é o jovenzinho que divulga fotos e vídeos que constrangem pessoas, mas acha que foi só "brincadeira"... Tô com uma gastura dessa gente...


Não se trata de censura menos ainda volta à ditadura, trata-se de respeito, "compaixão", como bem lembrou ​Zorzanelli. Trata-se de educação. Trata-se de entender que devemos ser minimamente responsáveis pelo que falamos e por como agimos. São beócios aqueles que falam e agem como querem, mas biltres são os que falam, agem E NÃO SE RETRATAM. Vestem-se de arrogância, típica dos grosseirões, para manter suas palavras e atitudes, fingindo transformá-las em arte, liberdade de expressão ou, pior ainda, humor. Humor faz bem e todo mundo pode rir dele. Quem é objeto de piada de mau gosto, não pode rir mesmo. E isso não é humor. Humor – no mínimo – alegra a todos, se humilha, pode ser tudo, MENOS humor.


Todo humorista, aliás todo mundo, pode dar uma mancada, falar demais e ser autor de grosserias, gafes e infelicidades, e se retratar é a forma exclusiva de minimizar o efeito dos excessos.


Outro dia foi o "humorista" bem educado que abriu a boca pra falar de mãe e filho, este ainda nem nascido; ou então a aluna de direito que para defender seu candidato à presidência sugeriu afogar nordestinos ou ainda o morador das áreas chiques do Rio de Janeiro que sugere explodir parte do país porque dá dor de cabeça ao país falar de ​Belo Monte. Mas tudo é brincadeira. Tudo é humor. Tudo é liberdade de expressão. E assim acabam ateando fogo no índio ​Galdino; espancando a empregada doméstica ​Sirlei, confundida com prostituta; matando o sujeito gay em meio à praça paulista; xingando de bicha o atleta de vôley ou de macaco o jogador de futebol. Afinal, tudo pode. Tudo é brincadeira.


Devemos combater esse rolo compressor tanto quanto devemos combater o politicamente correto. Deixar de chamar de brincadeira o que é de mau gosto, o que é inconsequência, o que é ato lesivo. Os americanos sacaram muito bem os mimadinhos, que não conheceram a palavra "não" e seu sentido de limite, e os chamam de "estragados" (spoiled). São, de fato, estragados da sociedade. Pior, como fruta podre, contaminam as saudáveis.


Alguns que defendem essa verborragia usam como exemplo ​Mussum e ​Didi, que também em horário nobre xingavam um ao outro de "crioulo", "cearense" e por aí vai, ladeira abaixo. A despeito de isso não ser motivo de orgulho para ninguém (afinal, qual a vantagem de ser "negro" ou "branco", "carioca" ou "cearense"??? Tudo termina em gente, mesmo!), o que Didi e Mussum faziam era muito mais privado do que público. Havia ali um pacto entre 2 pessoas. Um aceitava a provocação do outro, um incitava o outro com a alcunha que melhor "ofendesse" seu interlocutor. E entre 2 agentes que celebram essas intimidades, vale tudo dentro do limite de seus contratos. O que não vale, é achar que pode entrar minha casa e dizer besteiras sobre mãe e filho e falar que isso é humor ou escrever o que quer nas mídias sociais e dizer que foi só uma brincadeirinha. Aí ultrapassou os limites do contrato entre 2 atores e me incluiu na brincadeira..., de mau gosto.


Estamos cansados de assistir ao ator que imita o gay afetado, à atriz que faz a mãe judia; mas respeitosamente contextualizadas, essas bobajadas não passam, no mínimo, de humor barato. Afinal, existem os gays histéricos, há mães que empanturram seus filhos. Mas humor barato é opção de quem consome: quanto mais educada for a sociedade, menor espaço para esse humor obtuso. Por outro lado, uma coisa é o humor bronco, outra, o humor que agride o próximo só para fingir que faz graça. Infelizmente, tão abjeto quanto o agressor é quem ri da desgraça do outros.


Desaprendemos a conjugar o verbo "brincar", agora é eu brinco, tu aceitas, ele ri, nós nos divertimos, vós ignorais e eles se melindram.


Discutir, brigar, defender pontos de vista, estimular as sinapses, tudo isso só enriquece o diálogo, vale a pena e deve ser defendido com unhas e dentes. Mas falar o que quer, escrever o que quer, somente porque se acha o supersincero ou aquele brincalhão, precisa ser combatido com a mesma intensidade.


Falar o que quer, escrever o que quer, não é questão de censura, é questão de educação. Essa ética utilitarista, defendida por aqueles que querem chegar ao fim sem se importar com o meio, não é a mesma ética que calça o desenvolvimento sadio.


E o Brasil que eu sonho para os nossos filhos e netos é um país com educação, cultura, respeito e muito humor. Um país que respeita seus diferentes. Um país que estimula a discussão saudável. Um país que administra sua diversidade e se beneficia disso. Um país que rejeita o falso humorista que atira para os 360º. Queremos rir de bons humoristas.


Se você concorda com isso, apague da sua rede social o engraçadinho que escreve o que quer. Desligue o canal de TV cujos programas galgam audiência através da exposição alheia.


Seja consciente. Seja inteligente: sua risada custa muito caro para você dar para qualquer um.


Infelizmente, em 17/01/2012 o réu Rafael Bastos foi condenado a pagar APENAS 10 salários mínimos para cada um dos 3 afetados da família da cantora ​Wanessa Camargo, perfazendo um total de pouco menos de 20 mil reais (30 salários mínimos), em sentença proferida por ​Luiz Beethoven Giffoni Ferreira, juiz da 18ª Vara Cível de São Paulo, segundo reportagem de ​O Globo. Lamentável a parcimônia da Justiça Brasileira. Como essa quantia o réu aufere fazendo um comercialzinho na TV, não vai ser suficientemente dolorida no seu bolso a penalidade a que respondia.


Talvez se o juiz tivesse se colocado no lugar dos pais da criança - sequer nascida à época do proferimento da asneira do réu, cujo arrependimento jamais demonstrou privada ou publicamente - ou se o juiz, mais ainda, tivesse pesquisado o rol de abusos cometidos pelo réu, teria o condenado a REALMENTE pagar pela humilhação DESENECESSÁRIA a que submeteu os autores. É..., quando a Justiça é cega... é cega mesmo.