...artigos 2015



...


Publicado em 24/8/2015


Palavras-chaves: comunicação organizacional integrada, comunicação, Shakespeare


Ser ou não ser, eis a questão (…ÉTICA!)


O que Shakespeare nos ensinou num conflito familiar pelo poder, quase 4 séculos atrás.


Artigo e imagem publicados originalmente em EKO Educação Corporativa (14 de julho de 2015)



Quando o príncipe dinamarquês Hamlet proferiu sua famosa frase em meio a um conflito familiar, não “poderia imaginar” que sua aplicação seria tão bem explorada no universo das organizações e sua polifonia de discursos, 4 séculos depois.  Por essas e outras Shakespeare é um dos meus autores prediletos…


Quando ensinamos nossas crianças através de palavras e jogos morais, às vezes cheios de metáforas (“se fizer isso, a cuca vai te pegar…”), mas dando exemplos opostos ao discurso, confundimos a percepção dos guris: “faça o que eu falo, mas não faça o que eu faço” é máxima velha, ultrapassada e equivocada, que devia ter caducado com nossos tataravós.  O pneumologista que manda o paciente parar de fumar com o bigode amarelo de tanto alcatrão enfraquece a sua determinação…


A mesma coisa acontece na organização, em especial as que buscam o lucro.  Não dá para “parecer ser”, a empresa TEM de ser.


Indo um pouco mais para trás, 3 ou 4 séculos antes de Cristo, Platão já explicava que “dizer as coisas como são” (BECHARA, 2009) talvez fosse a única maneira “de ser o que se é”: doa a quem doer, por pior que seja, a verdade deve prevalecer.  E por mais que do olho do furacão você jure que esse não é melhor, assim que a tormenta passar é isso que vai ficar para os públicos de interesse: uma postura ética em meio à crise.  E, na bonança, não há razão para ser diferente.  Este é apenas um dos motivos pelos quais as Relações Públicas, ou minimamente seus conceitos, devem ser mantra das empresas, principalmente – mas não unicamente – daquelas que devem explicações à sociedade e aos governos.  E no mesmo sentido, a propaganda não pode ser a única ferramenta de comunicação da empresa, devendo esta se subjugar sempre à verdade dos fatos.


Do contrário, promete-se o que não se entrega.  Nada, nada e nada é pior do que isso para a imagem e reputação.


Por uma organização mais ética, o conflito legítimo “ser ou não ser” não pode se confundir com o leviano “ser ou parecer ser”.


Publicado em 3/8/2015


Palavras-chaves: comunicação, comunicação organizacional integrada, Margarida Kunsch, marketing


Integrando a Comunicação Organizacional e alguns porquês


Integrar a comunicação em discursos coerentes entre si é dar à organização o status de "pós-graduada" junto aos seus públicos de interesse.


Artigo e imagem publicados originalmente em Eko Educação Corporativa (10 de junho de 2015)







À primeira vista o termo “integrar” talvez assuste, afinal, pode aludir – exclusivamente – à ideia de controle.  Um exame um pouco mais amplo, no entanto, revela-nos um universo de benefícios em integrar a comunicação de uma organização, tenha ela finalidade lucrativa ou não, seja ela privada ou não.


A comunicação organizacional integrada – conceito bastante difundido no Brasil ainda na década de 1980, com o livro “Planejamento de Relações Públicas na Comunicação Integrada”, de Margarida Maria Krohling Kunsch – se sustenta, simplificadamente, no tripé I – Comunicação Interna (a interação entre a organização e seu cliente interno e o endomarketing) e Comunicação Administrativa (aquela que tange às questões gerenciais da organização), II –Comunicação Institucional (relações públicas, assessoria de imprensa, propaganda institucional, entre outras atividades) e III – Comunicação Mercadológica (promoção, marketing, propaganda, marketing digital, merchandising, trade marketing e muito mais que a criatividade permitir).


Ainda superficialmente, as 3 vozes são bem focadas em cada público de interesse da organização, I – o interno, II – o externo (todos) e III – o também externo (mas aqui o “cliente-consumidor”!), e é evidente que cada discurso impacta em qualquer uma destas 3 audiências, porque não é possível blindar hermeticamente cada emissão.  Cada “comunicação” pode, e deve, ser gerida e operacionalizada por profissionais específicos, num desejado mix entre as áreas do conhecimento comunicação e administração.


Voltando à integração, o 1º aspecto positivo é o administrativo: não lhe parece bom, caro leitor, ter num único “departamento” a administração de todos os vieses comunicacionais, evitando a sopa de letrinhas de áreas que algumas empresas fazem de sua interlocução com seus stakeholders?  COMIN (interior ou interna?); COMEX (exterior ou externa?); COMKT (marketing?  propaganda?); COMRI I, II e III (relações institucionais com quantos e quais públicos?), RP Praça A, RP Praça B (para cada cidade uma relação pública?)…  A nossa imaginação não tem limite!


O 2º aspecto, mais importante, toca os DISCURSOS da organização.  Não é esquisito demais a empresa fazer ode à liberdade na propaganda da TV e ter uma fazenda com trabalho análogo à escravidão?  E a operadora de telefonia que coloca o ator no pico da montanha “falando quase de graça”, mas cujo sinal de celular mal chega à sua casa?  Ou aquela marca com uma imagem quase asséptica que apresenta seus produtos vencidos?


Não é novidade que a organização se comunica com inúmeros públicos, alguns bastante claros, outros até desconhecidos.  Mas para todos eles, a comunicação – adaptada – deve ter a mesma identidade, o mesmo DNA, tem de ser integrada sob o mesmo princípio, dialogando entre si e emitindo, numa mesma vibração, os discursos para todos os seus interessados, colocando-se na sua função precípua, a serviço da estratégia organizacional.